domingo, 31 de maio de 2009

ALÉM DO VENTO

Observo.
Parece que todos se escondem.
Sinto o vento sobre a pele, que chega em suaves tons, feito cores da alma.
Nas árvores, os galhos balançam como canção de ninar e provocam sons suaves, que hipnotizam.
Mágico e sublime. Tão simples, quase irreal.
Me fazendo recordar que muito do que não vejo também existe.
E pulsa. E vibra.
Esclarece e me ampara.
Que seres são esses que voam como o vento e habitam esferas por onde não posso andar?
Quem são esses que me ouvem, sem que minha boca se abra e - talvez por isso mesmo - não se deixam enganar pelo absurdo das palavras?
Sem formas, sem sons, sem nada, se expressam numa linguagem perfeita.
De coração a coração.

Sueli


quarta-feira, 27 de maio de 2009

ANÔNIMOS

Chovia.
Olhava a cidade através das janelas do metrô e nem tudo era cinza.
Uma tranquilidade estranha estava por todos os lugares.
Se eu pudesse estar em silêncio teria uma outra percepção das coisas.
Mas tudo era vida! E borbulhava nos meus ouvidos....
Dirigi minha atenção às árvores e seus vários tons de verde que passavam por mim, velozes. Algumas enormes com suas dezenas de anos ou, quem sabe, centenárias. Outras, pequenas mudas ainda, tentando resistir à poluição das grandes avenidas.
Estava tão longe dali e tão cheia de pensamentos que, só ao entrar no túnel e começar o trecho subterrâneo, me dei conta de onde estava e porque.
Tantas pessoas ao meu redor. Tantas histórias.
Para onde estariam indo? Estariam felizes?
Tantos rostos sem nome.
Deve ter existido um tempo em que não seríamos assim, tão desconhecidos e anônimos.
Tempo de luvas nas mãos e de chapéus nas cabeças, talvez.
Ou não. Talvez teria que voltar ainda um pouco mais no tempo.
Mas a vida é agora!
Agora é a hora do diálogo, dos sorrisos, do respeito.
Hora de se interessar pelos outros. Interagir. Cooperar.
Não compartilhamos apenas um vagão em um determinado trem.
Dividimos os mesmos espaços, as mesmas ruas, os mesmos dias.
Dias de ser feliz.

Sueli

segunda-feira, 25 de maio de 2009

SONETO DA SEPARAÇÃO

Não foi um casamento
Não era nem mesmo real
Apenas uma União Metafísica
Mas os sentimentos não são reais?
Sempre pensei que fôssem
Sempre os senti verdadeiros
Me trouxeram esperanças, alegrias
Mas nem sempre quem espera, alcança
E por se ver cada vez mais longe de obter aquilo que se quer,
Surgiram a impaciência, o erro, os enganos, as dúvidas. A mágoa.
E veio a intolerância. E se criou o vazio da incompreensão.
Esperei em vão por respostas que nunca chegaram.
Tentei e tentei. Inúmeras vezes.
Jogando palavras ao vento, assumindo o desequilíbrio das minhas atitudes.
Impossível apagar as consequências de um gesto absurdo
Mais impossível ainda é tirar da memória todos os significados
Tudo o que se viveu.....todas as lembranças de intenso deleite
Tentei até que meus olhos viram a dimensão de todas as coisas.
Os seus olhos, castanhos como os meus,
Não souberam me enxergar e nunca realmente me viram
Nos meus olhos, castanhos como os seus,
algumas lágrimas ainda teimam em aparecer
Deixa prá lá!
Bom mesmo é cantar mas....
tinha que me lembrar logo dessa canção?

De repente do riso fez-se o pranto
Silencioso e branco como a bruma
E das bocas unidas fez-se a espuma
E das mãos espalmadas fez-se o espanto

De repente da calma fez-se o vento
Que dos olhos desfez a última chama
E da paixão fez-se o pressentimento
E do momento imóvel fez-se o drama

De repente, não mais que de repente
Fez-se de triste o que se fez amante
E de sozinho o que se fez contente

Fez-se do amigo próximo o distante
Fez-se da vida uma aventura errante
De repente, não mais que de repente
("Soneto da Separação - Vinícius de Moraes")

segunda-feira, 18 de maio de 2009

COM LIMÕES, LIMONADA !

Já tentei algumas vezes e meus pensamentos se perdem entre as idéias.
Parece que não consigo me alinhar com tantas mudanças ao meu redor.
Em períodos assim sei que é preciso estabelecer prioridades e, talvez, me empenhar um pouco mais.
O tempo é curto para tanto que há por fazer.
Coisas práticas. Exigências do dia a dia, pequenas tarefas que pedem atenção.
Grandes metas. Definições. Novos caminhos.
Tudo está definido, como se fôssem gavetas que acabam de ser arrumadas.
Tudo está no seu lugar. A confusão se foi.
Às vezes, nos iludimos e entramos por caminhos que não deveríamos andar.
Somos ingênuos. Ainda acreditamos em palavras bonitas e belos sorrisos.
Um dia acordamos e percebemos que as palavras se foram, se perderam no nada.
Mas um caminho errado não é de todo inútil.
Basta olhar para os frutos ao longo da estrada.
Quanta coisa se aprende! É uma oportunidade de amadurecimento, de transformação.
Sou grata. De um erro de percurso consegui encontrar partes de mim das quais tinha me esquecido.
Reconheci a minha força, a minha plenitude.
Sou hoje melhor do que fui.
Sueli

sexta-feira, 15 de maio de 2009

ONDE ANDA VOCÊ, ADELMARIO?

O AMOR VERDADEIRO

O coração fica em estado de graça, quando acontece o Amor...
(Mas há um engano nos corações que confunde este com os outros que não são. E eu que os conheço, quero livrar os desavisados, de caírem nos laços e desenganos do falso amor).
O Amor Verdadeiro, é o mais belo de todos.

Ele não escraviza, nem aprisiona por mais que ame, e quanto mais ame.
Pelo contrário, foi o próprio quem deu-me asas aos pés e, num sussurro, segredou ao ouvido da minha alma, a liberdade de ir para onde e quem quiser.
Mas em meu coração, disse que se assim eu sou, não irei aonde sou mandado, mas virei, se sou chamado...

Porque fui conquistado por quem até de si, me livra...
Falei da sua beleza, e completo, que não é com esses olhos que vejo. Mas com os que percebem um amor que não se irrita, e nem vê o envelhecimento com o passar dos dias, mas se renova a cada segundo de uma eternidade que começa...
Porque o amor de beleza decadente, se revelará um dia, carcomido pela irritação e a intolerância dos anos enfileirados a fio. E mostrará a impaciência com a velhice de si mesmo, e com os atavios colocados no rosto do tempo.
Mas o Amor de quem falo, dormirá mil anos e acordará certamente e olhará pro lado e se encantará com a beleza que se renova com o desfolhar dos anos da eternidade que abraçou...

Adelmario Sampaio








NOITE DE FESTA EM MAIO

Nada poderia me impedir
Uma força alheia aos meus sentidos me tornava inquieta
Sempre foi assim.
Mesmo que eu resista, mesmo que eu fuja,
De repente estava ali, em frente à casa Iluminada
Iluminada em luz fisíca e espiritual. Minha casa! Meu lugar!
Senti ao entrar uma energia diferente, angelical, sutil.
Entrei pelo corredor enfeitado por pequenas luzes e foi como estar numa passagem para uma outra dimensão.
A cada passo, deixava para trás os miasmas dos meus enganos, do meu temperamento inquieto, das minhas atitudes intempestivas.
Quando entrei no templo e tudo teve início, algo aconteceu.
As palavras iam e vinham - ou, o que é mais provável - fui eu quem não conseguia me fixar e era levada para bem longe dali.
Meu corpo tremia e o coração parecia saltar prá fora de mim.
Explodia em fé e gratidão!
Tantos seres. Tantos mestres!
Uma certeza sobre todas as coisas penetrava suavemente em minha mente.
Diálogos sem palavras. Verdades que precisava ouvir.
A presença de um anjo teimava em surgir em meus pensamentos, como se compartilhasse dessa divina viagem.
Entreguei ali meus medos, minha angústia, minhas dúvidas. Meu amor.
Não quero me tornar um obsessor em vida!
Liberdade!
Nada poderia ser mais apropriado. Era 13 de maio.
Invoquei aos céus todas as virtudes.
Passeava de energia em energia, por todos os raios de luz, como se nascesse novamente.
Uma alegria intensa finalmente surgiu, mistura de fé, do reconhecimento de mim mesma, na visão de minha própria essência.
Me mostraram o caminho. Me deram todas as ferramentas.
O trabalho, agora, é meu.

Sueli

quinta-feira, 14 de maio de 2009

DO OUTRO LADO DO ATLÂNTICO

Um bar e muitos, muitos papéis
Nem me lembro quando, porque sou distraída
Não dei atenção e o tempo passou
Os dias, meses, anos já!
Um dia aqui, outro dia ali e depois mais um
Sempre foi assim. Devagar. Com cuidado.
Construindo no coração uma amizade pequenininha
Como quem não quer nada, como quem nem liga
E eu, distraída!
Quando me dei conta, lá estava você, dentro do coração
Agora, olhando prá trás, entendo tudo
Entendo melhor a mim mesma mas ainda não sei se entendo você
Mesmo a seu lado, te sentia tão distante. Às vezes calado. Sempre sério demais.
Queria o som de uma gargalhada! Mas nunca ouvi....
Quando mais precisei, lá estava. Quantas vezes? Uma? Duas? Todas!
Tantas coisas fizemos juntos. Tantas outras ficamos por fazer.
Lembro de todas as luzes na grande avenida, das noites, dos dias.
Agora aí está você! Do outro lado do mundo.
Descobrindo a si mesmo novamente.
Ainda será o mesmo?
Por aqui, meu amigo, tanta coisa se passou...

para CATF

OBRIGADA, MARIA!

Arcanjo de luz encarnado
Mãe de Deus e de todos os homens
Que abraço gostoso!
Quanto amor e quanta força você me deu!
Obrigada, Maria!

Para ali fui levada nos braços do amparo
Que tudo sabe
Cheguei com o coração apertado
Uma noite de festa, uma noite de paz
Obrigada, Maria!

Me entreguei feito criança
Em pureza e alegria
Mas foi a mulher que você viu
E foi mais que mãe, foi amiga, mulher, conselheira
Obrigada, Maria!

Sem medo ou vergonha
Tudo coloquei em suas mãos
Lágrimas de gratidão escorriam banhadas pela luz do luar
Luar de maio, luar azul
ahhh....quanta saudade daqueles tempos!
ahhh....minha mãe, me banha com seu amor e sua força!
Me reveste na luz verde da verdade e da cura!
Me ajuda a ser um foco da sua luz na Terra!

Sueli



terça-feira, 12 de maio de 2009

JESUS CRISTO - UMA DESCRIÇÃO

(Este documento foi encontrado no arquivo do Duque de Cesadini, em Roma. Essa carta, onde se faz o retrato físico e moral de Jesus, foi mandada de Jerusalém ao imperador Tibério César, em Roma, ao tempo de Jesus.)

CARTA DO SENADOR PÚBLIO LENTULUS AO IMPERADOR
TIBÉRIO CÉZAR, DESCREVENDO AS CARACTERÍSTICAS
MORAIS E FÍSICAS DE JESUS.

"Sabendo que desejas conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem,
o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado o profeta da verdade e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do céu e da terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, ó César, cada dia se ouvem coisas maravilhosas desse Jesus: ressuscita os mortos, cura os enfermos, em uma só palavra: é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto e há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou temê-lo.
Tem os cabelos da cor amêndoa bem madura, são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes.
Tem no meio de sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso nos nazarenos,
o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face, de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis.
A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio,
seu olhar é muito afetuoso e grave; tem os olhos expressivos e claros, o que surpreende é que
resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo o seu semblante, porque quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade.
Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar.
Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra, contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele se aproxima, verifica-se que é muito modesto na presença e na pessoa.
É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante à sua mãe, a qual é de uma rara beleza, não se tendo, jamais, visto por estas partes uma mulher tão bela, porém, se a majestade tua, ó Cézar, deseja vê-lo, como no aviso passado escreveste, dá-me ordens, que não faltarei de mandá-lo o mais depressa possível.
De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca
estudou nada. Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram.
Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes.
Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram, jamais, tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de Tua Majestade; eu sou grandemente molestado por estes malignos hebreus.
Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o
conhecem e com ele têm praticado, afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo, aquilo que Tua Majestade ordenar será cumprido.
Vale, da Majestade Tua, fidelíssimo e obrigadíssimo...

Públio Lentulus, presidente da Judéia
Lindizione setima, luna seconda.”

VOCÊ CONSTRÓI CASTELOS DE AREIA OU CASTELOS DE VERDADE?

Quem tudo quer, nada tem!, sempre repete minha mãe!
Durante muito tempo, considerei esta frase um tanto pessimista.
Provavelmente, coisa de filha querendo contrariar as convicções da mãe!
Hoje, muito menos armada e bem mais disposta a refletir,
ainda que seja sobre os ditos populares,
penso que neste está a resposta para muitas de nossas confusões atuais.
Em primeiro lugar, acredito que frases como essas carregam boa dose da sabedoria contida no inconsciente coletivo e, por isso, valem no mínimo uma ponderação.
Depois, tenho notado que uma das maiores dificuldades das pessoas, num tempo em que as opções são inúmeras, é fazer escolhas!
Sei que entre o sim e o não existe uma infinidade de possibilidades e realmente acredito que isso seja ótimo!
Sei também que o equilíbrio, a ponderação e o tão reforçado caminho do meio são formas de se alcançar elevação espiritual e amadurecimento.
No entanto, uma verdade é absoluta: a vida tem passado cada vez mais rapidamente.
Tamanha velocidade tem assustado a maioria de nós e parece que esta urgência em ser feliz tem servido para nos causar angústia, ansiedade e uma enorme sensação de vazio interior.
O que é essencial parece estar se tornando cada vez mais fugaz!
E perdidos nesta fugacidade, temos feito escolhas equivocadas, privilegiando aspectos efêmeros, pequenos, sem importância, em detrimento daquilo que poderia nos conduzir ao verdadeiro estado de plenitude interior.
Sei, não é fácil!
O tempo todo, nossos sentidos são convidados ao supérfluo e à casca. Bem pouco somos estimulados a enxergar o conteúdo, a apreciar o que de fato faz sentido, ou melhor, o que poderia realmente dar sentido à vida que a gente leva...
E assim, perdemos o foco!
Não conseguimos mais criar castelos de verdade e viver histórias de verdade.
Vivemos em castelos de areia que desmoronam em seqüência.
Mas não desistimos: construímos outro e outro na mesma medida que os vemos cair.
Afinal, para construir castelos de areia precisamos de apenas uma tarde e nada mais...Mas para os castelos de verdade precisamos de disponibilidade, atenção, dedicação, perseverança, criatividade, persistência, enfim, atitudes pautadas pelo coração.
E tem mais: para vivermos nos castelos de verdade, precisamos encontrar nossa porção de reis e rainhas e nos comportarmos como tal.
Dá trabalho e requer algo que parece termos perdido: a capacidade de fazer uma escolha, compreender que ela tem um preço e trabalhar para pagá-lo.
Por fim, exige que abramos mão das demais opções e não mais compactuemos com o tão famigerado quero tudo e posso tudo o que quero.
Não podemos! De verdade, não podemos.
Até porque querer tudo não é o objetivo.
O grande objetivo é descobrir o que realmente queremos e fazer ‘tudo’ para que seja nossa melhor conquista.
E especialmente no amor, quando o intuito é seduzir um coração, é esta postura que faz a conquista valer a pena!
No mais, que consigamos nos tornar construtores de castelos de verdade e, sobretudo, sejamos merecedores de morar neles, a partir de uma conduta que revele nossa sublime majestade!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

OS CICLOS EM NOSSAS VIDAS

Se prestarmos atenção, iremos constatar que tudo se repete em nossas vidas.
Vivemos de ciclos em ciclos, aprendendo ou não, aproveitando as oportunidades ou não.
Primavera, Verão, Outono, Inverno.
Aquilo que há fora, também acontece dentro de nós.
Em nossa Primavera interior, nossa energia está em equilíbrio.
Há tanto a nosso dispor, tanto a se fazer, construir.
Tudo transborda em vida, em amor.
Há serenidade, prazer, alegria.
Se usarmos nossos talentos, será uma fase de realização e crescimento.
Aí, nos agitamos, perdemos nosso equilíbrio, tudo à volta parece ter uma vibração muito maior, uma velocidade incompatível com aquilo que somos.
É nosso Verão.
Tudo acontece tão rápido e, se não tomarmos cuidado, vamos além dos nossos limites.
Tudo ferve. Entra em ebulição. É uma fase de extremo perigo.
Porque, em excesso, o calor queima, destrói.
Existem também aquelas fases mornas - nosso Outono -
em que tudo parece ir contra os ponteiros do relógio.
Os dias demoram a passar. Aquilo que você espera nunca, nunca está ao alcance das mãos.
Um ritmo lento invade a vida e é preciso prestar atenção.
Porque é aqui que temos que usar nossa sabedoria e fazer o tempo trabalhar a nosso favor.
É nessa fase que podemos nos preparar para o que virá adiante: nos fortalecendo, trabalhando nossa auto-estima, acreditando em nosso potencial.
Criamos "reservas" interiores para o Inverno que, certamente, chegará.
Também podemos aproveitar para limpar de nossas vidas tudo aquilo que não mais nos serve, desde nossos bens materiais, até sentimentos e emoções negativas. São as "nossas folhas" que temos que permitir que se vão. É um período de desapego e limpeza.
Fazendo o nosso melhor a cada dia, quando o Inverno surge, não nos preocupamos.
Fizemos o nosso abrigo. Temos o calor de nossas conquistas.
Nossa despensa interior está plena de alimento para a alma.
Não há o que temer.
Sendo assim, eu pergunto: em que estação você está?
Observe!




domingo, 10 de maio de 2009

PEDRA DO SOL E LUAR SERENO

Do nada ele apareceu.
Daquilo que não existia,
Surgiu um sentimento doce, cheio de ternura
Ganhei dele um nome, Pedra do Sol.
Pedra que, para os Apaches, são eternas como as montanhas, rochedos, desfiladeiros.
Sol, que é a Luz Divina para os Comanches e traz a paz, os sentimentos, a alegria e a força de Manitu, o Grande Espírito, o criador de todas as coisas.
Ele me trouxe o conhecimento de muitos segredos e o fazia porque entre nós a confiança foi o alicerce de uma linda amizade.
Eu o chamava simplesmente de Luar Sereno.
Porque gosta da noite e de todos os seus mistérios.
Porque, naqueles tempos, só havia, então, a paz, a quietude.
E ele era assim. Era sério, quase não mostrava seu sorriso.
Não posso chamá-lo mentor ou guia mas, de muitas maneiras, orientou alguns de meus passos e, com seus aliados, me protegia.
Por onde ele andará?
Teria desistido de mim?
Lembro de ter lhe pedido muita, muita paciência.
Porque as diferenças entre nós são enormes e as emoções intensas.
Às vezes o sinto por perto, em silêncio.
Talvez eu tenha exigido demais. Talvez.
Tavez, mesmo longe, ele esteja comigo.
Então saberá o quanto Pedra do Sol sente saudades de Luar Sereno.

ORAÇÃO DE UM XAMÃ

Oh Grande Espírito,
sinto tua voz nos ventos,
e tu és o alento que da vida a todo um ser criado.
Escuta-me!
Me apresento a ti, como um dos teus inúmeros filhos.
Sou pequeno e frágil.
Preciso de tua força e de tua sabedoria.
Deixa-me andar entre as belas coisas,
faça que meus olhos possam admirar o por do sol roxo e púrpuro.
E que minhas mãos respeitem tudo que criastes,
que meus ouvidos estejam atentos para ouvir tua voz.
Faça-me sábio, para que possa conhecer as coisas que ensinastes ao teu povo,
e as lições que tu ocultaste em cada rocha, em cada folha.
Procuro a força, não para ser Superior a meus irmãos
e sim para ser hábil em combater o meu maior inimigo: Eu mesmo.
Permita-me Grande Espírito,
que esteja sempre pronto para apresentar-lhe ante a ti.
Com minhas mãos limpas, meu olhar reto,
para que quando a vida se desvaneça como a luz ao entardecer,
meu espírito possa apresentar-se perante a ti sem envergonhar-me.

sábado, 9 de maio de 2009

REFLEXÃO SOBRE A PERCEPÇÃO DE VALOR INTRÍNSECO

Recebi esse texto hoje pela manhã por e-mail.
Vale a pena compartilhar. E refletir.
.
Aquela poderia ser mais uma manhã como outra qualquer.
Eis que o sujeito desce na estação do metrô:
vestindo jeans, camiseta e boné, encosta-se próximo à entrada,
tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, bem na hora do rush matinal.
Mesmo assim, durante os 45 minutos em que tocou,
foi praticamente ignorado pelos passantes.
Ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell,
um dos maiores violinistas do mundo,
executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo,
um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.
Alguns dias antes Bell havia tocado no Symphony Hall de Boston,
onde os melhores lugares custam a bagatela de 1000 dólares.
A experiência, gravada em vídeo
mostra homens e mulheres de andar ligeiro,
copo de café na mão, celular no ouvido,
crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino.
A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post
era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.
A conclusão: estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto.
Bell era uma obra de arte sem moldura.
Um artefato de luxo sem etiqueta de grife.
Esse é um exemplo daquelas tantas situações que acontecem em nossas vidas que são únicas, singulares e a que não damos a menor bola porque não vêm com a etiqueta de seu preço.
O que tem valor real para nós, independentemente de marcas, preços e grifes?
É o que o mercado diz que você deve ter, sentir, vestir ou ser?
Essa experiência mostra como, na sociedade em que vivemos,
os nossos sentimentos e a nossa apreciação de beleza são manipulados pelo mercado,
pela mídia e pelas instituições que detém o poder financeiro.
Mostra-nos como estamos condicionados a nos mover quando estamos no meio do rebanho.
Mostra-nos, ainda,
que a maioria das pessoas só valorizam aquilo que está precificado.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

QUANTO PÓ !

Que sensação é essa?
Há muito não me sentia assim...
Os livros, recortes e fotos que iam sendo empilhados à minha frente,
sujavam meus dedos e minhas mãos.
Os dias passaram sem que eu notasse, envolvida que estava em outras prioridades, vivendo outras partes de mim mesma.
Eu ri. Tudo estava como deixei.
Por fora e por dentro.
Enfim a hora chegou.
Fui tomada pelo mesmo entusiasmo, a mesma alegria.
Um novo projeto se esboça na minha alma.
Novo? Não!

Quanto tempo já faz?...20, quase 25 anos!
Olho a foto do velho mestre num recorte de jornal...será que ainda vive?
Tantos já partiram.
De repente, senti saudades dos fins de tarde em que nos reuníamos em volta da mesa arrumada com carinho, onde não faltava o chá, o cafézinho e, claro, os biscoitinhos de polvilho.
Então, nos amontoávamos no velho escritório e mais uma aula começava.
Luzes e formas? Abertura? Velocidade? Diafragma...foco....
Cuidado! Não abra a porta quando a luz vermelha estiver acesa!
Na penumbra vermelha, as fotos ainda úmidas iam revelando formas em frente aos nossos olhos.
Agora tudo é digital. Muito da magia se perdeu.
Continuo separando papéis, lembranças,
Faço anotações, como se um sonho pudesse ser retratado num diagrama.
Idéias. Etapas. Plano de trabalho. Pessoas.
Enfim, tudo limpo. Energias estagnadas restauradas ou eliminadas.
Me sinto exausta e feliz.
Como é bom tirar o pó dos sonhos.
Eu disse sonhos?
Tudo é tão real
E...sonhar não cansa!

quarta-feira, 6 de maio de 2009

DESABAMENTO

Do vale que agora me abriga eu ainda posso vê-la.
Ela está lá e me parece ainda mais abandonada.
Sabes que não conseguiria me afastar por completo,
Uma força me atrai, me domina, me prende a essa imagem.
Significados, memórias, laços.
Ainda não há portas, nem janelas, mostrando que tudo ainda está por fazer.
Tanto a contruir....a edificar no coração dos homens...
Quando a encontramos, não percebi a sua fragilidade
Nem o risco a que estava me entregando!
O madeiramento do telhado resiste, forte, desafiando os dias.
Mas não pode impedir os pingos da chuva, a visão das estrelas
Porque as telhas há muito não existem. Naquela época, já não existiam.
Deveria ter prestado atenção nesse detalhe, mas me sentia protegida.
Não estava só.
Ali aprendi a voar. Visitei palácios, florestas, desertos, mares e sonhos.
Iludida pela presença dos pássaros, ali também me perdi.
Me deixei levar em suas asas e não percebi quando tudo começou a desmoronar.
Estava no alto, nas nuvens, bebendo do vento da paixão.
Onde está agora aquele sentimento que preenchia todos os cantos?
Um frio congelante tomou conta de todo o lugar.
Segues solitário no cumprimento de sua missão.
Seus olhos e ouvidos, voltados para a multidão desesperada e faminta,
Ignoraram aquela que mais precisava de ti.
Tudo foi muito rápido. Algumas paredes internas, já sem apoio, desabaram sobre mim. Mas estavas longe.
Por sorte, escapei. Alguns arranhões apenas.
Não esperei que voltasse.
Fugi.

terça-feira, 5 de maio de 2009

VOA ALMA


"Na pureza do meu ser,
esquecendo agora por um simples instante,
por momentos,
esquecendo por momentos a matéria.
ensando somente: Eu Sou espírito, espírito livre!

Liberta alma, liberta meu ser.

Traz a paz, traz a calma, toda a alegria de viver!
Que eu esqueça por momentos qualquer mal que me acometa em físico,
qualquer pensamento que destoe,
qualquer sentimento que perturbe, que desequilibre.

Voa alma, voa. Liberta alma, liberta meu ser.

Traz a paz, traz a calma, a doce alegria de viver!
Sinto-me livre igual passarinho neste vôo singelo.
Sinto-me simples, como uma cálida flor recebendo o orvalho.
Sinto-me numa nuvem sendo levada pelo vento, pela brisa.

Eu Sou aquela semente que aquece aos raios do Sol.
A água cristalina
Eu sou e corro...
Tudo Eu Sou. Tudo é meu Ser.
Tudo faz parte de mim, se integra.
Como Sou grande! Espírito livre.

Voa alma, voa!

Alcança sem limites.
Voa alma, liberta a prisão humana,
o corpo humano até então encadeado, aprisionado.
toda a liberdade da energia do meu ser,
Eu Sou tudo o que flui pelo Universo,
eu expando agora!
Eu sinto nas minhas mãos agora toda a extensão do Universo.

Liberta alma, liberta meu ser!

Traz a paz, traz a calma,
traz a doce alegria do viver!
Livre como uma gaivota,
calmo como a brisa,
belo como a flor,
imponente como o mar,
produtivo como a terra.

Eu Sou o Universo.

O Universo todo se faz presente em mim,
em cada porção da terra.
O cálcio, o ferro, os minérios aqui dentro deste meu corpo existem!
Esse ar que eu respiro é o vento.
Eu Sou vento, Eu Sou terra.
Esse fogo que me faz falar, mexer, andar é o fogo da vida.

0h Deus! 0h Pai!
Essa água cristalina que me banha é meu sangue!

Oh Deus!
Compreendo agora que tenho todo o Universo dentro do meu corpo.
Sou uma porção de cada elemento da natureza.

Eu Sou tudo!
Eu Sou o mar,
Eu Sou o céu,
Eu Sou a terra,
Eu Sou o vento.

0lha! Quanto grandioso Eu sou!

Oh Deus!
Não compreendia até então
e com todo coração agora elevo e agradeço.
Perfeição da vida
Perfeição do Pai!

Agradeço toda essa grandiosidade do meu ser.
Valorizo tudo o que Eu Sou.
Estou me fazendo pronto,
estou me aprontando direito.
Reconhecendo as verdades que me libertarão.
As verdades que me libertam, são únicas.

Eu Sou tudo!
Tudo que gira no Universo!

Eu estou de encontro com o meu Pai.
Eu estou me aprontando cada vez melhor
para estar face a face com meu Pai,
a grandiosidade deste Deus que Eu Sou.
Criador, formador.

Oh Deus, obrigado!
Por esta consciência agora ilimitada,
pela permissão dada de trafegar qualquer mundo.
Porque sei fazer parte de mim qualquer pedaço do Universo.
Eu sei e me reconheço agora,
esteja onde estiver.
Eu Sou igual com todos.

Eu Sou Um com todos.
Eu Sou um com o Todo!
Oh Pai, obrigado por esta chance.
Obrigado por esse valor que dás.
E do profundo do meu sentimento,
do profundo do meu pensamento,
eu me elevo agora e me consagro.

Eu tenho um objetivo, eu tenho uma meta, eu tenho um final:
Ser igual, idêntico, a tudo o que é manifestação da divindade no Universo.

Eu Sou o Todo!
Eu sou a minha Divina Presença.
Eu Sou um com o Todo e um com todos.
Não me apartarei jamais de nenhuma pedra,
de nenhuma planta,
de nenhum animal,
de nenhum amigo, irmão,
seja o que for apresentado à minha frente,
almas ou qualquer outra manifestação da natureza,
pois eu sou idêntico.

Eu sou e me integro, me uno.

Eu Sou essa composição que sempre quisera estabelecer com perfeição como plano para a terra, uma unidade.
Muitas consciências juntas,
todas conservando a sua individualidade e todas unidas, num só sentido:
o sentido do amor, da perfeição.

Oh Deus!
Eu sinto agora, sinto agora que me preparei,
que me preparei para novos passos,
para uma nova escalada.
Eu sinto agora, que ao meu encontro
me espera aquele Mestre de mãos estendidas.
Saberei agora pegá-las sem diferenças entre nós
porque sei que sou um com Ele
e que entre todos os seres existentes do Universo
não existe separação, somente união.
Essa é a minha proposta e assim edificarei,
assim plantarei e construirei.
Obrigado meu Deus por toda esta consciência,

por toda esta certeza e valor!"
Mentor Tião Calunga através de Fátima de Carvalho

segunda-feira, 4 de maio de 2009

VIVENDO PERIGOSAMENTE


São demais os perigos desta vida
Pra quem tem paixão principalmente
Quando uma lua chega de repente
E se deixa no céu, como esquecida

E se ao luar que atua desvairado
Vem se unir uma música qualquer
Aí então é preciso ter cuidado
Porque deve andar perto uma mulher
.
Deve andar perto uma mulher que é feita
De música, luar e sentimento
E que a vida não quer de tão perfeita
Uma mulher que é como a própria lua:

Tão linda que só espalha sofrimento
Tão cheia de pudor que vive nua

minha homenagem a Vinícius de Moraes,
autor dessa coisa tão linda!

MANHÃ DE UM NOVO DIA

Abro a a janela. Nenhuma nuvem no céu.
Fecho os olhos, respiro.
Uma onda de energia purifica todo o meu ser.
Me limpa das coisas estagnadas que ficaram para sempre perdidas no ontem.
Finalmente reconheço o milagre!
Uma gratidão enorme invade meu coração.
Uma ansiedade pelo que há de vir,
uma vontade de percorrer novos caminhos.
Retomar e reviver tantos talentos.
Deixar que venha à superfície aquilo que,
sufocado pelas paixões, pelos desejos,
encobria meus olhos e meu entendimento.
Reconheço o quanto persisti na busca por algo que nem era real e, como a fumaça, se desfez em nada com o sopro da leve brisa da manhã.
Não posso mais ficar aqui!
A Vida me chama lá fora, insistente, teimosa!
Tem rosto de criança que, sorrindo, me chama pra brincar
E eu vou!








domingo, 3 de maio de 2009

ERA UMA VEZ.....

Essa história começou há muito, muito tempo, tanto tempo que já nem posso dizer quando.
História de elos fortes. Vínculos que se fortaleciam dia após dia. Era após era.
História de alegrias, tristezas. Muito trabalho, descobertas.
Cumplicidade, afinidades, valores.
A mesma luz compartilhada. A mesma missão.
Tempo em que éramos apenas anjos.
De alguma forma carregamos conosco nossa missão tão sigilosa.
Um brilho na alma, invisível aos homens.
Onde estariam aqueles iguais a nós?
Eu não sei!
Apenas reconheci, dentro da bruma dessas terras virtuais,
uma luz semelhante à minha mas, como magia, à minha volta surgiram espessas paredes de um presente absurdamente real.
Uma armadilha.
Seres estavam à espreita, à espera de qualquer deslize.
Cega por tanta luz, não os vi. Ignorei a existência das trevas.
Nem tudo é o que parece ser.
Só o Amor se faz absoluto, inquestionável.
O Relógio da Torre parou!
Uma pausa no tempo das alegres esperanças.
Semanas, meses? Ou serão vidas?

Me distraio pra não pensar nos dias que virão.
Há muito o que fazer e ser.
Eu mesma ajudei a construir o labirinto em que agora estou.
Minotauros, esfinges, mistérios.
Porque tudo isso aconteceu?
Não preciso de respostas,
Quero apenas,
mais uma vez
trilhar o caminho dos anjos.

sábado, 2 de maio de 2009

O GRANDE DITADOR

Vivemos numa era virtual,
onde as máquinas,
sempre e sempre mais,
tomam conta de nossos minutos.
Eu, por exemplo, estou aqui, agora,
em frente a esse computador,
redigindo esse texto.
Então,
me lembrei do discurso de Chaplin em "O Grande Ditador"
e concordo com ele:
o que mais precisamos,
agora,
é de afeição e doçura!
Sueli
.Tamanho da fonte
Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador.
Não é esse o meu ofício.
Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja.
Gostaria de ajudar a todos, se possível: judeus, o gentio, negros, brancos.
Todos nós desejamos ajudar uns aos outros.
Os seres humanos são assim.
Desejamos viver para a felicidade do próximo, não para o seu infortúnio.
Por que temos de odiar e desprezar uns aos outros?
Neste mundo há espaço para todos.
A terra, que é boa e rica, pode prover todas as nossas necessidades.
O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém desviamo-nos dele.
A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e temnos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios.
Criamos a época da produção veloz, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.
A máquina, que produz em grande escala, tem provocado a escassez.
Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernida e cruel.
Pensamos em demasia. Sentimos bem pouco.
Mais do que máquinas, precisamos de humanidade; mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura!
Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido.
A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais.
A própria natureza dessa aproximação é um apelo eloqquente à bondade do homem, um apelo à fraternidade universal, à união de todos nós.
Neste mesmo instante, a minha voz chega a milhões de pessoas pelo mundo à fora; milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas, vítimas de um sistema que oprime seres humanos e encarcera inocentes.
Aos que me podem ouvir, eu digo: "Não desespereis!"A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia, da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano.
Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbirão e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo.
E assim, mesmo que morram homens, a liberdade nunca perecerá.
Soldados! Não vos entregueis a esses homens violentos, que vos desprezam, que vos escravizam, que arregimentam as vossas vidas, que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos, que vos fazem marchar ao mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação racionada, que vos tratam como um gado humano e que vos utilizam como carne para canhão! Não sois máquinas. Homens é que sois!
E com o amor da humanidade em vossa alma!
Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar; os que não se fazem amar e os desumanos. Soldados! Não batalheis pela escravidão!
Lutai pela liberdade!
No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem - não de um só homem ou de um grupo de homens, mas de todos os homens!
Está em vós!
Vós, o povo, tendes o poder - o poder de criar máquinas, o poder de criar felicidade!
Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela, de fazê-la uma aventura maravilhosa! Portanto - em nome da democracia -, usemos esse poder, unamo-nos todos nós
Lutemos por um mundo novo... um mundo bom, que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.
É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder.
Mas só mistificam! Não cumprem o que prometem.
Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo.
Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência.
Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à aventura de todos nós.
Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!
Hannah, estás me ouvindo?!
Onde te encontres, levanta os olhos!
Vês, Hannah?! O sol vai rompendo as nuvens, que se dispersam!
Estamos saindo da treva para a luz!
Vamos entrando num mundo novo, um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da violência.
Ergue os olhos, Hannah!
A alma do homem ganhou asas e, afinal, começa a voar.
Voa para o arco-íris, para a luz da esperança.
Ergue os olhos, Hannah!
Ergue os olhos!
Charles Spencer Chaplin"O Grande Ditador"

MOVIMENTO ESPIRITUAL

Trabalhar o corpo físico faz com que nos conheçamos melhor e desenvolvamos também nosso corpo emocional.
Quando nos envolvemos com o movimento, percebemos que nosso corpo ora não quer fazer nada, ora quer fazer demais.
Subjugados pela necessidade de um movimento adequado ao nosso momento cardiovascular, temos de controlar o apetite de não fazer ou de avançar o sinal.
Essa necessidade de realizar a atividade física de maneira correta, com propriedade e sem agressão, nos ensina a realizar ações boas para nosso organismo - um exercício mental fundamental para a evolução emocional, tão em falta numa sociedade em que as pessoas sabem tanto e fazem tão pouco por elas.
Quando alguém realiza uma atividade física, leva seu organismo a uma reação em cadeia que proporciona modifícações metábolicas de alto nível, produzindo substâncias que estimulam e tranqquilizam, que proporcionam sensações especiais de completude e inteireza, lassidão e tranquilidade.
Essas modificações sempre foram importantes para um nível espiritual elevado, mas hoje ganham ainda mais valor.Elas são a oportunidade de canalizar a energia supérflua tão normal em uma sociedade competitiva e hiper-estimulada, brecando o estresse e controlando os super estímulos de uma cabeça faminta por idéias mas pobre em ação.
A percepção que a atividade física oferece de seu mundo interior proporciona ao seu corpo espiritual uma base fundamental para agir positivamente. Poderá, por acaso, um espírito evoluir se seu alicerce físico for um corpo entregue ao cansaço, mau humor e irritação?
Pode alguém ajudar ao próximo se ele não consegue servir nem a si mesmo?
A elevação espiritual só ocorre em um corpo físico completo, cheio de energia, disposição e vitalidade.
A atividade corporal é uma oportunidade decisiva de conhecer um outro lado da vida que podia estar escondido até então.
Incentive seus colegas, parentes ou qualquer pessoa que você gostaria de ajudar a se conhecerem melhor. Fazendo isso, você estará incentivando a si mesmo, porque suas própias palavras de entusiasmo diante da busca de uma vida melhor ficarão marcadas em sua mente. Quando incentivamos alguém a buscar algo, colocamos dentro de nós a energia que damos aos outros.
Da mesma forma, quando geramos uma energia ruim, essa energia nos atinge e nos maltrata fisiologicamente. Então por que não sermos positivos e otimistas, entusiasmados com a vida, pensando sempre coisas boas?
Você que nunca fez nada sistemático em termos de movimento, que apenas de vez em quando se lembra que tem corpo, ajude-se nessa tomada de consciência para realizar algo concreto para si mesmo.
Inicie uma simples caminhada ou passeio, algo suficiente e satisfatório.
Seu coração e sua circulação sanguínea agradecerão.
Esse pode ser um bom início para começar a existir dentro de sua própia vida
Autor: Nuno Cobra

NÃO FORAM DIAS FÁCEIS

Mulher e coração de menina.
Curiosa, levada, que diz o pensa e sente.
Muitas vezes deixando o bom senso de lado.
Muitas vezes se arrependendo do que fez cinco minutos depois.
Mulher-menina que tropeça e cai.
E sempre se levanta!
Aprende.
Sempre há uma lição!
Às vezes, descoberta na palavra de uma amiga,
às vezes, em palavras sussurradas nos
ouvidos extra-físicos, palavras vindas dos amigos que não se vê.
Que estando tão longe, estão tão perto!
Diferentes dimensões convivendo lado a lado
Será que aprendi a lição?
Sueli



MISTÉRIOS E CAMINHOS

Quantos mistérios, quantas palavras...
Quanto ainda não sei!
Quantas dúvidas em minha mente.
Procuro nas palavras os sentidos, as verdades.
Procuro por aquilo que nunca diz...
Palavras e significados, palavras e emoções.
Esconderijos, labirintos, luzes e sombras.
Com o que aprendi, por onde andei?
O que fiz? Guardei? Usei?
Não quero que tudo isso se transforme em conhecimento inútil.
O que posso fazer?És meu guia.
Em tua mão tens a minha e eu confio em ti.
De que adiantam meus olhos e meus ouvidos, se não consigo enxergar e se não posso ouvir?Minhas pernas teimavam em percorrer os caminhos já conhecidos.
Agora ainda não sei por onde ando, onde chegarei.
Esperas muito de mim e conheces os meus limites.
Que luz é essa que me dá esperança e que fogo é esse que me queima?
Quero luz e fogo mansos para que eu não seja levada pela paixão.
Quero que tudo se apresente com a frieza dos cálculos matemáticos.
Sem riscos. Sem erros. Sem hipóteses.
Não!Quem eu quero enganar?
Me sabes tão bem e nenhum jogo de palavras consegue esconder o poderio da minha alma!
Quero o equilíbrio, mas não consigo evitar o sentimento, que chega a mim em ondas de alegria e explode!
Luz, fogo, paixão, movimento, nascimento, morte.
Quero a paz dos percursos lineares. Seguros.
Minha história me trouxe até aqui.
Sei bem onde estou.
E tudo se repete, se renova.
O caminho se desenha à minha frente e, entre tantas,
Só levo uma certeza.
Quero que estejas comigo.
Sueli

ORAÇÃO

Pai,
Sou teimosa e rebelde
Sabe disso ainda mais do que eu.
Teimo em fazer do meu jeito e sempre espero pelo último minuto pra pedir que venha em meu socorro.
Que mania mais insensata!
Reconheço sua presença em todos os momentos.
Porque me demoro?
Porque insisto no uso da minha tola independência?
Sinto sua infinita paciência e vejo que sorri a cada vez que, tropeçando, jogo fora um tempo precioso.
Não precisaria ser assim.
Colocou anjos, junto a mim.
Anjos que me guardam e orientam meu caminho.
Anjos que me mostram como agir pra estar ainda mais perto de você.
Anjos que me dão os instrumentos para que eu mesma me transforme naquela que nasci para ser.
Um pedacinho divino. com tantas emoções e talentos a serem explorados.
Pai, perdão!Sei que não desistiria.
Sei que usaria dos meios mais incríveis para chamar minha atenção.
Estamos juntos agora e, por favor
Se me distrair
Se me afastar
Peça para um anjo
Que segure minhas mãos
E dê ordens a ele
Que não as solte mais,
Assim Seja.
Sueli

UNIVERSALISMO RELIGIOSO

Você possui uma religião?Qual é a sua religião?
Perguntas como estas ouvimos constantemente em nosso dia a dia, pois as pessoas comumente procuram nos entender através do conhecimento das nossas crenças religiosas, mesmo correndo um sério risco de cometerem erros de julgamento, ou melhor, de pré-julgamento, pois uma determinada religião pode ser compreendida e vivenciada de diversas maneiras e, além disto, muitas pessoas se dizem adeptas a uma certa corrente religiosa, mas pouco ou nada sabem a respeito dos seus ensinamentos ou mesmo discordam de parte de sua doutrina.
Outras se classificarão como céticas diante das religiões instituídas e, até mesmo, irão formular extensas "teses" sobre o mal que a religião exerce e exerceu por toda a história humana, subjugando as pessoas através de normas moralistas manipuladoras, objetivando muito mais o exercício do poder do que a salvação das almas. Então, diante de tantas variações no modo de compreendermos as religiões, vamos entender, primeiramente, o que é religião, para respondermos às perguntas formuladas acima.
A origem da palavra "religião" deriva do latim "re-ligare", que significa, precisamente, "religar", ou melhor, religar o homem e a divindade, quando se encontram afastados. A religiosidade é, portanto, uma questão íntima e individual, pois depende apenas de cada um de nós, de acordo com a nossa necessidade evolutiva, termos motivação para buscar a descoberta sobre quem realmente nós somos e qual é o sentido maior da nossa vida. É fundamental compreender que, a princípio, as instituições religiosas deveriam professar métodos desenvolvidos para que a mente e o coração encontrassem equilíbrio e satisfação diante destas questões filosóficas, porém, sabemos que o mau uso do poder por parte de alguns religiosos, e de algumas instituições, acabam por gerar o distanciamento do homem em relação a Deus e não a sua aproximação, pois muitas igrejas e templos representam muito mais um núcleo de controle e vigilância moral de uma comunidade do que um local destinado à reflexão, ao estudo dos livros que contém os ensinamentos dos grandes sábios e às práticas espirituais que elevam a alma.
A falta de ética e sentimento fraterno verdadeiro de algumas religiões instituídas, mesmo as mais tradicionais e seculares, não pode mais ser encoberta, como acontecia no passado.
O Terceiro Milênio, através do universalismo religioso, traz a possibilidade de experimentarmos diversas práticas religiosas, sem medos ou culpas, e buscarmos o nosso crescimento espiritual seguindo as nossas próprias intuições. É claro que é essencial, ao longo da vida, nos definirmos a respeito das crenças religiosas.
Aquelas que, na nossa opinião, nos tragam maior compreensão da vida e felicidade, nos permitindo a superação do sofrimento.
E quando um grupo de pessoas se identifica entre si por suas crenças e se reúne, objetivando o desenvolvimento espiritual, tanto pessoal quanto coletivo, acabam por formar, assim, um verdadeiro núcleo de apoio e fortalecimento da fé. Além disto, quanto mais crescemos espiritualmente, maior se torna o nosso sentimento fraterno e o nosso desejo de fazer o bem e levar aos outros a libertação, seja interior ou exterior, da mesma forma que aconteceu conosco.
Vivemos num Novo Tempo, numa Nova Era, que permitiu a quebra dos sistemas religiosos da idade média, quando o ser humano ainda era destituído de qualquer poder de escolha e punido quando não seguia as regras impostas.
O Brasil é um país privilegiado por ser o mais espiritualizado do mundo e, apesar da enorme diversidade religiosa, é pacífico e, por isto mesmo, é o lugar mais propício para a concretização do ideal universalista e quando temos a liberdade de conhecer a força que nos traz os rituais da umbanda, a compreensão do mundo espiritual através do estudo espírita, a fé que nos faz renascer através do cristianismo, o conhecimento da hierarquia espiritual que rege a evolução terrena através da teosofia e etc., nos completamos por encontrar em cada filosofia espiritualista uma parcela da verdade universal que, juntas, aceleram a nossa evolução.
Viver o universalismo é saber retirar de cada filosofia ou religião o seu melhor aspecto, suprimindo, é claro, qualquer sombra de falso moralismo e de preconceitos.
autores: Fátima de Carvalho e Marcello Cotrim

UMA VELHA CANÇÃO PARA O MOMENTO DO AGORA


...não por acaso,
hoje me deparo com esses sons
Muito mais que palavras,
uma música pode dizer tudo


The sound of silence
letra: Paul Simon

Hello darkness, my old friend,
I've come to talk with you again,
Because a vision softly creeping,
Left its seeds while I was sleeping,
And the vision that was planted in my brain
Still remains
Within the sound of silence.

In restless dreams I walked alone
Narrow streets of cobblestone,
'Neath the halo of a street lamp,
I turned my collar to the cold and damp
When my eyes were stabbed by the flash of a neon light
That split the night
And touched the sound of silence.

And in the naked light I saw
Ten thousand people, maybe more.
People talking without speaking,
People hearing without listening,
People writing songs that voices never share
And no one dared
Disturb the sound of silence.

"Fools" said I, "You do not know
Silence like a cancer grows.
Hear my words that I might teach you,
Take my arms that I might reach you.
"But my words like silent raindrops fell,
And echoedIn the wells of silence

And the people bowed and prayed
To the neon god they made.
And the sign flashed out its warning,
In the words that it was forming.
And the sign said,
"The words of the prophets are written on the subway walls
And tenement halls."
And whisper'd in the sounds of silence.


Tradução

O Som do Silêncio

Olá escuridão, minha velha amiga
Eu vim para conversar contigo novamente
Por causa de uma visão que se aproxima suavemente
Deixou suas sementes enquanto eu estava dormindo
E a visão que foi plantada em meu cérebro
Ainda permanece
Entre o som do silêncio
Em sonhos agitados eu caminho só
Em ruas estreitas de paralelepípedos
Sob a auréola de uma lamparina de rua
Virei meu colarinho para proteger do frio e umidade
Quando meus olhos foram apunhalados pelo lampejo de uma luz de néon
Que rachou a noite
E tocou o som do silêncio
E na luz nua eu vi dez mil pessoas talvez mais
Pessoas conversando sem falar
Pessoas ouvindo sem escutar
Pessoas escrevendo canções
Que vozes jamais compartilharam
Ninguém ousoup erturbar o som do silêncio
"Tolos," digo eu, "vocês não sabem
O silêncio como um câncer que cresce
Ouçam minhas palavras que eu posso lhes ensinar
Tomem meus braços que eu posso lhes estender
"Mas minhas palavras como silenciosas gotas de chuva caíram
E ecoaram no poço do silêncio
E as pessoas curvaram-se e rezaram
Ao Deus de néon que elas criaram
E um sinal faiscou o seu aviso
Nas palavras que estavam se formando
E o sinal disse
"As palavras dos profetase stão escritas nas paredes do metrô
E corredores de habitações
E sussurraram no som do silêncio"