quarta-feira, 6 de maio de 2009

DESABAMENTO

Do vale que agora me abriga eu ainda posso vê-la.
Ela está lá e me parece ainda mais abandonada.
Sabes que não conseguiria me afastar por completo,
Uma força me atrai, me domina, me prende a essa imagem.
Significados, memórias, laços.
Ainda não há portas, nem janelas, mostrando que tudo ainda está por fazer.
Tanto a contruir....a edificar no coração dos homens...
Quando a encontramos, não percebi a sua fragilidade
Nem o risco a que estava me entregando!
O madeiramento do telhado resiste, forte, desafiando os dias.
Mas não pode impedir os pingos da chuva, a visão das estrelas
Porque as telhas há muito não existem. Naquela época, já não existiam.
Deveria ter prestado atenção nesse detalhe, mas me sentia protegida.
Não estava só.
Ali aprendi a voar. Visitei palácios, florestas, desertos, mares e sonhos.
Iludida pela presença dos pássaros, ali também me perdi.
Me deixei levar em suas asas e não percebi quando tudo começou a desmoronar.
Estava no alto, nas nuvens, bebendo do vento da paixão.
Onde está agora aquele sentimento que preenchia todos os cantos?
Um frio congelante tomou conta de todo o lugar.
Segues solitário no cumprimento de sua missão.
Seus olhos e ouvidos, voltados para a multidão desesperada e faminta,
Ignoraram aquela que mais precisava de ti.
Tudo foi muito rápido. Algumas paredes internas, já sem apoio, desabaram sobre mim. Mas estavas longe.
Por sorte, escapei. Alguns arranhões apenas.
Não esperei que voltasse.
Fugi.

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