terça-feira, 28 de julho de 2009

LUZ - O QUE PERMANECE...

O caminho espiritual nunca foi fácil.
A maioria dos estudantes recua no meio da jornada.
Mergulhar no mais profundo do coração é tarefa árdua.
Ser um cirurgião de si mesmo dói!
Cortar os outros é mais fácil.
Lidar com emoções desencontradas levanta muita poeira do ego.
É mais fácil anestesiar-se consciencialmente, e deixar-se levar...
Muitos fazem isso, mas estão apenas adiando o encontro consigo mesmos.
Outros até se voltam contra os estudos espirituais, traindo a si mesmos.
Sim, traem a si mesmos, pois a Luz não pode ser traída...

E Ela sempre espera!
Quem trai a própria jornada espiritual, na verdade, está fazendo mal é a si mesmo.
Os valores espirituais permanecem; são do Eterno e não estão sujeitos a caprichos.
As pessoas vão e voltam, ao sabor de suas flutuações mentais e emocionais.
Mas o que é da Luz permanece.
É perene.
Não é doutrina.
É estado de consciência.
Poucos compreendem isso.

A maioria reclama e grita demais.
E também trai muito...
Se o semelhante atrai o semelhante, o que acontece com quem trai a si mesmo?
Quem é da Luz, busca a Luz!
É sintonia espiritual.
E isso não está sujeito a variação.
O mundo pode ficar contra, mas o coração que segue a Luz não se deixa levar...
Muitas teorias materialistas podem abalar os fracos de espírito; mas só a eles.
Quem é da Luz não tira sua força das coisas do mundo;
e nem de pessoa alguma.

A Luz sustenta quem é firme na jornada.
E seus valores são imperecíveis.
E quem está forte na área, não dá mole mesmo!
Nem escuta a arrogância chamando.
Muito menos submete sua espiritualidade a qualquer flutuação ou novidade material.
Enquanto o mundo gira sob a ação do Carma, o estudante sério liga-se à Luz e ora.
Ele sabe onde está sua força para vencer suas provas da jornada.
Ele sabe luzir!
E ninguém, fora dele mesmo, sabe o que se passa em seu coração.
Só a Luz sabe...
E Ela cuida dos seus.
Sem Ela, a jornada fica escura.
E a trilha é dentro do coração.
Ah, como dizem os iniciados,
quem quer mais Luz, que seja Luz!

P.S.: Muitos são os caminhos, mas a Luz não deixa dúvidas: sempre faz o coração despertar para a profundidade do Amor Real, além das aparências ilusórias e temporárias do mundo. E Espiritualidade não é doutrina ou um lugar aonde ir, é consciência.Quem sente, sabe. Quem ama, em espírito e verdade, compreende. E isso não depende de contexto de fora algum; é dentro do Ser. E algo do mundo poderá explicar isso? Não, não! O que é da Luz, Ela cuida. E quem está firme, sabe.Provas, traições, incompreensões, dificuldades de percepção real, e tantas outras coisas podem acontecer na jornada...

Mas quem é da Luz permanece com Ela, sempre.
Wagner Borges
http://www.ippb.org.br

quinta-feira, 23 de julho de 2009

MILAGRES

Sinto o bater do meu coração
....tum-tum...tum-tum....tum-tum....
Me dou conta do quanto isso é extraordinário!
Aí, numa curiosidade do momento,
Fui procurar o sentido de "extraordinário" no dicionário,
só prá realçar o sentido da emoção que isso me causou.
Entre outros significados encontrei:
Que não é conforme ao costume geral ou ordinário
Me deparo com essas palavras e me desaponto
Afinal, o que é mais ordinário do que o simples fato de respirar?
Todos nós não fazemos isso, em todos os segundos?

Minha rebeldia me domina
Não...isso não está certo! Não está!
Pela primeira vez, posso afirmar que
o "Aurélio" não sabe de nada!

Em outros mundos, em outros planos,
creio que nem mesmo teremos pulmões!
Mas aqui, nesse nosso lindo planeta azul
É o ar que nos permite viver
Paro e respiro profundamente algumas vezes
Fecho os olhos e agradeço esse milagre
Tão vulgar, tão comum...tão "ordinário"
Ainda com os olhos fechados, pareço ouvir uma voz
"Quantos e quantos milagres se realizam todos os dias assim?
Invisíveis, desapercebidos? Fatos comuns mas que, se não estivessem alí,
ao alcance das mãos, no cotidiano das horas, sua vida seria totalmente diferente do que é - isso, se houvesse ainda vida!"
Esteja atento. Observe.
E agradeça a cada pequeno (?!) milagre da Vida.

Sueli

quarta-feira, 22 de julho de 2009

PEDALE !

Eu via Deus como um observador, um juiz que não perdia de vista as coisas erradas que eu fazia. Mas, quando me aproximei mais Dele e passei a conhecê-Lo melhor, pareceu que a vida era como um passeio de bicicleta para duas pessoas e percebi que Deus estava no banco de trás, me ajudando a pedalar.
Não me lembro quando Ele sugeriu-me que trocássemos de lugar e a vida não foi mais a mesma...
Com o Seu poder, a vida tinha se tornado muito mais excitante!!!
Quando era eu no controle era tudo previsível.
Mas quando Deus assumiu a liderança (Ele conhecia atalhos maravilhosos), passei a subir montanhas e atravessar terrenos pedregosos em velocidade vertiginosa!
Embora tudo aquilo parecesse loucura, Ele ficava dizendo: "Pedale, pedale!!!"
Eu ficava preocupada, ansiosa e perguntava: "Para onde o Senhor está me levando?"
E Deus apenas ria e não me dava uma resposta.
Eu me vi confiando Nele.
Quando dizia que estava assustada, Ele se virava para trás e tocava minha mão.
Deus levou-me até pessoas com dons de que eu precisava como os da aceitação e da alegria. Essas pessoas me ajudaram a prosseguir na minha jornada.
"Ele" me disse então: "Desfaça-se da bagagem extra, pesa demais!"
Então, eu comecei a fazer doações e descobri que, quanto mais eu dava, mais eu recebia!
O meu fardo ficava mais leve!
Confesso que, a princípio, eu não confiei muito em Deus.
Mas, o Senhor conhecia os segredos da bicicleta, sabia como incliná-la para fazer curvas fechadas, pular para evitar buracos, aumentar a velocidade para encurtar os caminhos difíceis. Também estou aprendendo a me calar e pedalar nos lugares mais complicados.
E quando estou certa de que não posso mais seguir em frente,
Ele apenas sorri e diz:
"Pedale!"
Texto: internet
foto: Samuel Caldeira

É A SUA VEZ !


"Saia e faça pelos outros o que alguém fez por você."
(Randy Pousch from The Last Lecture)

Alguém te inspirou recentemente?
Então é a sua vez de sair e inspirar mais alguém.
Alguém fez você se sentir amado e estimado?
Então é sua vez de sair e fazer com que mais alguém se sinta amado e estimado.
Alguém convenceu você de que a melhor maneira de se olhar é para cima?
Então é a sua vez de sair e convencer mais alguém a olhar para cima.
Alguém abençoou você?
Então é a sua vez de sair e abençoar mais alguém.
Entenda, a Vida, realmente funciona quando não guardamos as coisas que nos foram dadas,
mas ao invés disso, quando as dividimos com todos que conhecemos.
Possa você sempre ter vontade de transmitir o bem que você recebeu para mais alguém.
E possa você sempre estar consciente de que você é
amado sem medida e é uma benção querida para mim.
.:Kate Nowak - Better to Bless:.

terça-feira, 14 de julho de 2009

AFINIDADE

Afinidade é um dos poucos sentimentos que resistem ao tempo e ao depois.
A afinidade não é o mais brilhante, mas o mais sutil, delicado e penetrante dos sentimentos.
É o mais independente também.
Não importa o tempo, a ausência, os adiamentos, as distâncias, as impossibilidades.
Quando há afinidade, qualquer reencontro retoma a relação, o diálogo, a conversa, o afeto no exato ponto em que foi interrompido.
Ter afinidade é muito raro.
Mas quando existe não precisa de códigos verbais para se manifestar.
Existia antes do conhecimento, irradia durante e permanece depois que as pessoas deixaram de estar juntas.
Afinidade é ficar longe pensando parecido a respeito dos mesmos fatos que impressionam, comovem ou mobilizam.
É ficar conversando sem trocar palavras.

É receber o que vem do outro com aceitação anterior ao entendimento.
Não é sentir a favor... nem sentir contra...
Nem sentir para... Nem sentir por....
Nem sentir pelo.
Afinidade é sentir com.
Sentir com é não ter necessidade de explicar o que está sentindo.
É olhar e perceber.
É mais calar do que falar, ou, quando falar, jamais explicar: apenas afirmar.
Afinidade é ter perdas semelhantes e iguais esperanças.
É conversar no silêncio, tanto nas possibilidades exercidas quanto das impossibilidades vividas. Afinidade é retomar a relação no ponto em que parou, sem lamentar o tempo de separação. Porque tempo e separação nunca existiram.
Foram apenas oportunidades dadas (tiradas) pela vida.

A ALMA DOS DIFERENTES

Ah, o diferente, esse ser especial!
Diferente não é quem pretenda ser.
Esse é um imitador do que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente.
Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errados para os outros.
Que riem de inveja de não serem assim.
E de medo de não agüentar, caso um dia venham, a ser.
O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição.
O diferente nunca é um chato.
Mas é sempre confundido por pessoas menos sensíveis e avisadas.
Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias, adiadas; esperanças, mortas.
Um diferente medroso, este sim, acaba transformando-se num chato.
Chato é um diferente que não vingou.
Os diferentes muito inteligentes percebem porque os outros não os entendem.
Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro.
Diferente que se preza entende o porque de quem o agride.
Se o diferente se mediocrizar, mergulhará no complexo de inferioridade.
O diferente paga sempre o preço de estar - mesmo sem querer - alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores.
O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual: a inveja do comum; o ódio do mediano.
O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão, mas que está sempre certo.
O diferente começa a sofrer cedo, já no primário, onde os demais de mãos dadas, e até mesmo alguns adultos por omissão, se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial em aleijão e caricatura.
O que é percepção aguçada em: "Puxa, fulano, como você é complicado".
O que é o embrião de um estilo próprio em : "Você não está vendo como todo mundo faz? "
O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações os quais acaba incorporando.
Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram ( e se transformam) nos seus grandes modificadores.
Diferente é o que vê mais longe do que o consenso.
O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber.
Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham.
É o que engorda mais um pouco; chora onde outros xingam; estuda onde outros burram.
Quer onde outros cansam.
Espera de onde já não vem.
Sonha entre realistas.
Concretiza entre sonhadores.
Fala de leite em reunião de bêbados.
Cria onde o hábito rotiniza.
Sofre onde os outros ganham.
Diferente é o que fica doendo onde a alegria impera.
Aceita empregos que ninguém supõe.
Perde horas em coisas que só ele sabe importantes.
Engorda onde não deve.
Diz sempre na hora de calar.
Cala nas horas erradas.
Não desiste de lutar pela harmonia.
Fala de amor no meio da guerra.
Deixa o adversário fazer o gol, porque gosta mais de jogar do que de ganhar.
Ele aprendeu a superar riso, deboche, escárnio e consciência dolorosa de que a média é má porque é igual.
Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, engordados, magros demais, inteligentes em excesso, bons demais para aquele cargo, excepcionais, narigudos, barrigudos, joelhudos, de pé grande, de roupas erradas, cheios de espinhas, de mumunha, de malícia ou de baba.
Aí estão, doendo e doendo, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais.
A alma dos diferentes é feita de uma luz além.
Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os pouco capazes de os sentir entender.
Nessas moradas estão tesouros da ternura humana.
De que só os diferentes são capazes.
Não mexa com o amor de um diferente.
A menos que você seja suficientemente forte para suporta-lo depois.
.:Artur da Távola:.

domingo, 12 de julho de 2009

LIÇÕES DE VIDA

Se a desilusão atingir sua alma,
devastando seus sonhos e ofuscando novas possibilidades,
pense na infinidade de caminhos que podem se abrir para você
em apenas um dia, uma hora, um minuto...
Se a frustração acariciar friamente sua face,
fazendo você cair diante dos obstáculos,
olhe para trás e veja o quanto você já caminhou
e o quanto cresceu colhendo em cada trilha
amigos sinceros, amores, experiências inesquecíveis...
Se as palavras de insulto e humilhação agredirem a sua integridade,
lembre-se de que elas são frutos putrefatos da maldade e da inveja,
Vire-se e continue a caminhar sem dar ouvidos aos fracos de alma que as pronunciam:
um dia eles entenderão porque são completamente sós...
Se a preocupação com os encargos do dia-a-dia
tomar sua mente e enfraquecer o seu corpo,
despertando o nervosismo e o estresse,
olhe o horizonte e tente descobrir as saídas para os problemas
ao invés de lamentar e achar que eles são piores do que realmente são...
Se o vazio e a insegurança invadirem o seu peito,
abra os braços, feche os olhos e repita para si mesmo:
"eu posso voar..."
Você é capaz de tudo desde que acredite em si mesmo.
Saiba enxergar a felicidade nas pequenas coisas da vida,
numa conversa com os amigos, na brincadeira com o cachorro,
numa paquera em barzinho ou no jogo de damas com seu avô...
Rotina é uma palavra que não existe,
pois cada dia traz consigo pequenas surpresas
e cada pequeno gesto guarda uma imensa felicidade...
E depois de tudo isso,
olhe para si mesmo e veja o quanto você é especial!
Imagine o quanto pode fazer pelo mundo e pelas pessoas,
Valorize as suas qualidades e tente corrigir seus defeitos (o que é realmente difícil)
e saiba o quanto é privilegiado por poder caminhar,
cair e aprender com os erros,
por ser capaz de escrever uma história única,
como nenhuma outra...
Pense nisso!
Ouse sonhar, pois os sonhadores vêem o amanhã.
Ouse fazer um desejo,
pois desejar abre caminhos para a esperança
e ela é o que nos mantém vivos.
Ouse buscar as coisas que ninguém mais pode ver.
Acredite na magia,
pois a vida é cheia dela mas, acima de tudo,
acredite em si mesmo...
porque dentro de você
reside toda a magia da esperança,
do amor
e dos sonhos de amanhã.
(...um texto encontrado na net)

sexta-feira, 10 de julho de 2009

MEDIUNIDADE: A MELHOR TÉCNICA É O AMOR

O Amor é a energia que mantém o universo e tudo o que nele existe.
Sem o amor do Criador, nada existiria, nada se sustentaria, não haveria transformação.
Sem o amor incondicional de Deus por nós, nada seríamos e nada poderíamos realizar.
É na força do Amor, o Amor-Deus, o Amor que É, o Amor que existe sem ter sido criado, que todos nos movemos, que todos existimos, vivemos, pensamos e sentimos.
Tudo que experimentamos é o Amor Maior agindo em nós, por nós e para nós.
Somente pelo amor podemos realizar com Deus, podemos agir no mundo de Deus, em sua criação.
O médium é também obra e, ao mesmo tempo, ferramenta de Deus, pois é através dele que Deus se revela um pouco mais à consciência humana, tão presa à ilusão que a cerca neste mundo material.
No médium, tem Deus mais um caminho para o coração humano.
E pelo médium, podemos todos entender um pouco melhor o Deus que vive em nós, mas não enxergamos, o Deus que nos ama tanto que nos deu também a mediunidade para que pudéssemos nos aprofundar em seus mistérios.
Todo médium deve ter consciência de que é também um pouco médium de Deus, da Vida, do Amor que É e tudo permeia.
Todo médium precisa saber-se efeito de Deus, da vontade divina, da sabedoria infinita, para compreender que sua missão na mediunidade nada mais é do que expressar esse Amor que a todos envolve, nutre, sustenta e transforma, sendo imutável e constante em si mesmo.
Para ser fiel à sua missão, portanto, deve o médium viver mergulhado em amor.
Amor por Deus, pela criação, pelas criaturas e por si mesmo.
Amor que se revela em respeito, em virtude, em fraternidade.
Amor que se apóia também em estudo, em conhecimento, em razão.
Amor que se equilibra, serenamente, entre o êxtase da fé e a concepção do intelecto.
Sem este Amor, a mediunidade torna-se estéril e fria, pois nada inspira à vida a não ser arrogância e desencanto.
Sem este amor que alimenta a razão e nela se apóia, o médium nada percebe de si mesmo e de sua tarefa.
Nada sabe dos propósitos de sua missão e nada intui da verdadeira Vida, a Vida que representa.
E sem conhecimento, a mediunidade torna-se cega, irresponsável e fanática, e nada acrescenta à humanidade a não ser medo, ignorância e superstição.
Sem o conhecimento que ilumina o coração, o médium pouco compreende de si e de Deus, pois age às cegas, sem poder entender os fenômenos que o alcançam e não pode controlar.
Cabe ao médium, portanto, ser instrumento preciso e fiel do amor de Deus pelos homens, estudando sempre, aprendendo cada vez mais, para se fazer mais e mais amoroso em sua mediunidade.
Cabe ao médium sintetizar, em si mesmo, amor e conhecimento, levando não somente técnica ao seu trabalho, mas também sabedoria, equilíbrio, discernimento, serenidade, para que, no exercício de sua mediunidade, reflita-se somente a melhor técnica, a essência de tudo: o Amor.
autoria: Maísa Intelisano

quarta-feira, 8 de julho de 2009

O MONSTRO DA INDIFERENÇA

Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta.
Um poeta é só isso: um certo modo de ver.
O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar... vê, não vendo.
Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia sem ver.
Parece fácil, mas não é.
O que nos é familiar, já não desperta curiosidade.
O campo visual da nossa rotina é como um vazio.
Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta.
Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe.
De tanto ver, você não vê.
Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo porteiro.
Dava-lhe bom-dia e, às vezes, lhe passava um recado ou uma correspondência.
Um dia, o porteiro cometeu a descortesia de falecer.
Como era ele? Sua cara, sua voz, como se vestia? Não fazia a mínima idéia.
Em 32 anos, nunca o viu.
Para ser notado, o porteiro teve que morrer.
Se um dia, no seu lugar estivesse uma girafa cumprindo o rito, pode ser que ninguém desse por sua ausência.
O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem.
Mas, há sempre o que ver: gente, coisas, bichos.
E vemos? Não, não vemos.
Uma criança vê o que um adulto não vê., pois tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo.
O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de tão visto, ninguém vê.
Há pai que nunca viu o próprio filho, marido que nunca viu a própria mulher.
Isso exige muito.
Nossos olhos se gastam no dia-a-dia.
É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

Autor: Otto Lara Resende

MENSAGEM PARA UM ANJO

Porque ainda sinto sua presença?
Nossos caminhos foram rasgados pelas pedras da incompreensão
Toda a fragilidade sucumbiu ao peso de uma leve brisa
Construímos diferentes sonhos em diferentes noites.
Formamos na mente e no coração aquilo que queríamos encontrar.
Não, você não se lembrou de mim, nem eu de você.
Aquele que me inspirava, que dava forma aos meus poemas e delírios não era um anjo, não era outro a não ser aquele que ainda encontrarei.
Foi um erro meu, eu sei.
Engano maior foi pensar que suas palavras se dirigiam a mim.
Foram para muitos e muitas.
Vindas de outras dimensões, descreviam nossos sentimentos já vividos,
Mas aquilo que seria só nosso foi lançado para o ar, para quem quisesse beber da água da paixão.
Se transformou em literatura inútil.
Talvez ainda esteja comigo, em segredo, observando meus atos, sentindo à distância minha alma e energia.
Mas te liberto e me protejo dessa invasão indesejada.
Não encontro mais sentido em suas palavras. Tudo ficou escuro, triste, cinzento.
Tento alcançar novamente a inspiração que a tristeza e a mágoa me fizeram abandonar.
A partir de agora, escrevo para aquele que você não quis ser.
O alvo de meus pensamentos e da minha emoção nunca foi um anjo.
Nem mesmo um anjo caído entre os homens.

Sueli

terça-feira, 7 de julho de 2009

LENDA JAPONESA

Era uma vez um grande samurai que vivia perto de Tóquio.
Mesmo idoso, se dedicava a ensinar a arte zen aos jovens.
Apesar de sua idade, corria a lenda de que ainda era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde, um guerreiro conhecido por sua total falta de escrúpulos apareceu por ali.
Queria derrotar o samurai e aumentar sua fama.
O velho aceitou o desafio e o jovem começou a insultá-lo.
Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou insultos, ofendeu seus ancestrais.
Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível.
No final do dia, sentindo-se já exausto e humilhado, o guerreiro retirou-se.
E os alunos, surpresos, perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade.
- Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente? - A quem tentou entregá-lo, respondeu um dos discípulos.
- O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem o carregava consigo.
A sua paz interior depende exclusivamente de você.
As pessoas não podem lhe tirar a calma.
Só se você permitir...