terça-feira, 11 de agosto de 2009

CHUVA DE LETRAS

As gotas de chuva lá fora preenchem espaços como partículas de idéias que se derramam criando infinitas combinações.
Um quebra cabeça onde as peças se emaranham, se escondem. se tornam inacessíveis, escorregam nos rios do pensamento, velozes.
As letras, simbolos imperfeitos para as emoções, começam a se juntar contra a minha vontade.
Brincam entre si, rindo da minha incapacidade de percepção das coisas.
Tudo é tão cheio de magia. Tudo tem se tornado tão sublime e divino.
Palavras-gotas, molhando minhas mãos e eu sem conseguir entender.
Letras que se misturam. Palavras surgindo de uma dimensão desconhecida.
De repente percebo que sou eu quem lhes dará forma e significado.
Como na vida, depende de mim escolher: riso ou dor, verdades, mentiras.
Posso ficar na superfície das águas ou ir para as profundezas escuras e tristes.
Na imaginação poderei voar e inventar o que bem quiser.
Pela janela, vejo que a chuva parou. Sua missão foi cumprida!
O papel em branco à minha frente não mais me assusta.
Agora compreendo tudo.
Tenho em mim todas as palavras

Sueli

2 comentários:

  1. Oi Sueli! É assim que os grandes talentos criam suas preciosidades. Belo texto. Parabéns!

    Beijos,

    Furtado.

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  2. Lindo texto, inspirado com a chuva fina que rega a sua alma.
    Um bela noite.
    Um grande abraço

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