quarta-feira, 23 de novembro de 2011

O NASCIMENTO


Do meio do nada sou arrancada de mim mesma,
dos espaços mornos, das horas estagnadas.
Como uma obra iniciada e abandonada,
camadas de argila endurecidas resistem.
Olhos de esperança espiam pelas fendas e esperam pela Luz.
O sangue frio se aquece, vibrando em lentos movimentos.
Lágrimas surgem e se dá a percepção de todas as coisas.
Aceleração, ritmo, tudo vibra.
Explode!
A tinta fresca escorre em azuis, amarelos, verdes,
Vermelhos intensos.
Os sons são infinitos.
A Música?
Sempre esteve aqui, nunca me abandonou mas, agora,
Eu posso tocar!
Sueli

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

CORES QUE DANÇAM*























No céu, fitas coloridas flutuam levadas pela brisa.
Posso sentir ondas de um pulsar divino.
Energia que invade meu corpo, minha alma, minha essência.
Os espaços não importam, porque tudo é Luz!
Presto atenção ao ritmo borbulhante,
Feito brincadeira de criança que me faz rodopiar.
Banho molhado, colorido, sonoro,
Faíscas que derretem o medo, a apatia, a mesmice de tantas horas.
Vontade de rir, gargalhar, dançando nas ruas da Vida.
Tudo se acelera, o sangue brinca nas veias
A curiosidade, no coração e na mente.
Música de agora, de sempre, de Gershwin
I got rhythm, I got music, ……
Who could ask for anything more?

Sueli
*post inspirado pelo Programa Entrevidas de 21 de setembro de 2011.
http://www.youtube.com/watch?v=i2KTd-EOsro&feature=uploademail

terça-feira, 12 de julho de 2011

PASSADO, PRESENTE, FUTURO

Quero perder o medo dos vazios, da folha em branco,
das curvas nas esquinas.
Quero simplesmente me entregar em confiança.
Prestar atenção em cada tom.
Nas notas, em todas as coisas.
Graves, agudos, vermelhos e pálidos.
Em retribuição à Vida, também espalharei cores.
Derramarei cheiros e odores, tintas, carícias.
Esse é o segredo do Tempo!
Em mágica alquimia, ver surgir o produto de suas idéias,
Sentir a emoção de cada encontro,
Se deixar arrepiar pelos sons de uma melodia perfeita.
Provocar prazer e saudade.
Construir cada dia, como quem arruma a mala pra viagem.
Depois olhar a foto amarelada,
em meio a tantas outras e
querer ainda mais, muito mais
Sueli

segunda-feira, 20 de junho de 2011

OS PONTEIROS DO RELÓGIO





















Somos eternos e o tempo não existe!
Existem os fatos que se sucedem, se transformando em história e saudade.
Existem todas aquelas coisas que pretendemos fazer e é preciso sabedoria para determinar o que é prioridade em nossa alma e o que é simples desejo de nosso ego.
Nesses dias digitais, virtuais, os ponteiros do relógio desapareceram, não há mais tic-tacs.
Só nosso coração persiste em seu ritmo e muitos nem se dão conta que ele está batendo.
Tic-tac, tic-tac, tum-tum, tum-tum, tum-tum.
Bate coração!
Bate sereno, bate afobado.
Me faz saber das alegrias e das emoções.
Deixe que eu ouça o ritmo da Vida.

Sueli

terça-feira, 29 de março de 2011

Dúvidas


















                               Queria fechar os olhos e ser divinamente inspirada.
Queria que as idéias brotassem na alma, viessem para o coração e escorressem pelas minhas mãos.
Mas o querer é apenas isso, é desejo, vontade.
De nada vale se não houver atitude, ação!
Hoje me permiti transformar desejo em realidade.
Hoje eu quero que minha energia vibre, materializando coisas.
Como uma Deusa, trazendo o sonho do invisível ao visível.
Construindo mundos, percorrendo dimensões, coletando flores.
Posso ir com os ventos, caminhar por ladeiras, espiar pelas frestas dos muros.
Escolher sons, cores, personagens.
Voar entre sentimentos.
Ou então,
Ficar sob a sombra da mangueira e deixar que o tempo passe.
Sueli

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

TÃO DISTANTES!


Procurava entre os espaços coloridos por algo que ainda fosse você.
Manhã de domingo, de céu azul e calor.
Algumas novas florzinhas no jardim me alegravam o dia.
Ainda meio adormecida corria meus olhos pelos longos textos.
Pra que tanta informação, meu Deus?
Tanta formalidade, tanta frieza, tantos dados frios.
(Me perdoe, mas ando sem paciência para informações acadêmicas)
Eu busco pela Alma, por uma energia que havia ali, vibrante, escondida.
Sentida além dos sentidos.

Loucas verdades metafísicas.
Foi então que eu a vi, tímida, quase abandonada num canto.
Disfarçada em meio a outras letras, o encanto de uma alma feminina:
Cecília Meireles.
Sua poesia tomou meu coração, como se eu escutasse de sua própria boca.
Num momento de delírio, de pura ingenuidade, de egoísmo,
Tomei posse daquele poema,
Que poema já não era. Era conversa entre velhos amigos.
Confissão e sentimento.
Algo que só os anjos podem entender!
Voltei no tempo, quando era fácil lembrar de você.
Mas..."deixemos de coisa, cuidemos da vida".
Mesmo que eu quisesse, que bebesse das palavras como se anjo fosse,
Sou apenas mulher
e eram apenas palavras.

Sueli

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

OS TEXTOS PERDIDOS


Queria buscar dentro de mim todas as idéias que já tive,
Das mais absurdas, às mais belas.
Onde elas estão? Em que lugar de minha alma se escondem?
Já pensei em gravá-las, mas os pensamentos parecem ter vida própria
e surgem inesperadamente, em loucos momentos.
Impossível reter, são como o vento.
Às vezes, uma só palavra se expande e atraí pra si possibilidades infinitas.
Um bloco, um emaranhado de fios sem conexão aparente,
Mistério a ser desvendado, como se eu fosse uma arqueóloga, desenterrando
algo frágil, valioso, criando em mim mesma expectativas, ansiedade.
Mesmo que eu os libertasse de mim, usando minha voz,
será que conseguiria uma expressão que fizesse sentido?
Não!
É preciso calma,
É preciso sentar, aquietar a mente e esquecer de tudo.
Como a Pintura, como na Música, é preciso ir em busca da harmonia.
Juntar as letras, como se faz com as cores, com as notas.
É preciso ....CRIAR.
Sueli